Artigo de opinião publicado no “Diário de Notícias” 13 novembro 2024
Terminada, por agora, a série sobre a gestão da água destinada a consumo humano, começo, hoje, um conjunto de artigos dedicados a assuntos relacionados com a identificação dos principais riscos que representam ameaças para a Saúde Pública, tanto a nível nacional como global.
Acompanho de perto as políticas definidas no âmbito da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde há 50 anos, quer como consultor e funcionário quer, a seguir, por ter sido um dos representantes de Portugal junto dos seus órgãos, entre 2001 e 2017. Estou, assim, em condições de olhar para trás, ao estilo de relance pessoal, a fim de testemunhar e interpretar a evolução de sucessivos desafios que constituíram justificados motivos de alerta internacional.
Nos anos 70 do nosso grande século XX, a OMS centrava a atenção em questões associadas aos programas materno-infantis e ao planeamento familiar, ao mesmo tempo que propunha a erradicação do paludismo e a promoção da organização dos sistemas de cuidados primários, sem ignorar a importância decisiva do desenvolvimento socioeconómico, incluindo o saneamento básico (água, esgotos e lixo). Na década seguinte, surgiu, inesperadamente, a primeira pandemia depois da Pneumónica de 1918. Refiro-me ao VIH/SIDA. Preocupação imensa que impôs a mobilização adicional de recursos.
Mais recentemente, a seguir à viragem do Millennium, a gripe aviária, a SARS, a gripe A, Ébola e COVID-19, convocaram muitas energias e meios na perspetiva da prevenção e controlo de novas epidemias emergentes. A partir de então, reconheceu-se, finalmente, a importância que as infraestruturas de Saúde Pública constituem, em termos de segurança nacional e mundial, apoiadas pela imparável inovação nas dimensões científicas e tecnológicas (nomeadamente traduzidas em novos medicamentos antivirais e vacinas).
Agora, a OMS aponta dez tópicos como desafios (riscos iminentes) que exigem medidas preventivas imediatas:
1. Efeitos provocados pela aceleração das alterações climáticas e da poluição ambiental (fenómenos climáticos extremos);
2. Doenças crónicas como a obesidade, a diabetes tipo 2, o cancro, as doenças cérebrocardiovasculares e doenças respiratórias;
3. Pandemia de gripe;
4. Fragilidade e vulnerabilidade das localidades habitacionais e de alojamento;
5. Infeções provocadas por agentes patogénicos resistentes a antimicrobianos;
6. Epidemias de Ébola ou por outos agentes virais emergentes de natureza zoonótica;
7. Debilidade dos sistemas de saúde, particularmente de cuidados primários;
8. Hesitação vacinal em crianças ou em adultos;
9. Dengue e outras epidemias devidas a infeções de transmissão vetorial como o Zika, Chikungunya e outas;
10. VIH/SIDA.
(continua)
Francisco George
franciscogeorge@icloud.com
