APIFARMA

APIFARMA
1939-2024

Em 1939, Portugal era diferente.

Na Península, a Guerra Civil de Espanha terminara nesse ano, em Abril. Cinco meses depois, teve início a II Guerra Mundial que iria ser devastadora até terminar, em 1945, no seguimento de duas bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Salazar manteve Portugal neutral. Mas, o país, na época, refletia dimensões bem distintas das atuais. Os indicadores sociais, económicos e culturais espelhavam as imensas dificuldades que os portugueses então viviam. Em comparação com a Europa, Portugal era um país atrasado.

Foi neste ambiente, em pleno Estado Novo que surgiu, em 1939, o Grémio Nacional dos Industriais de Especialidades Farmacêuticas que daria, mais tarde, origem à Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA), a partir de 1975.

Antes da fundação do Grémio, o começo da atividade industrial para o fabrico de medicamentos é marcado pela criação da Companhia Portuguesa de Higiene, em 1891, como primeira empresa farmacêutica a nível nacional. A iniciativa deveu-se ao dinamismo de Emílio Estácio (1854-1919), farmacêutico pela Universidade de Coimbra e formado em química pelo Instituto Industrial de Lisboa. Emílio Estácio fundara, oito anos antes, a Farmácia Estácio ao Rossio, em Lisboa.

Em 1892, o Laboratório J. Neves & Cª, em Lisboa, inicia a produção de medicamentos.

Nos anos que se seguiram, surgiram outras unidades farmacêuticas. Mas o grande salto da Indústria deveu-se à empresa Cortês Pinto & Pimental, Lda, ao abrir o Laboratório Sanitas que rapidamente passou a ocupar um lugar de destaque no panorama da produção farmacêutica, em Portugal. Cinco anos depois, além do mercado nacional que fornecia regularmente, impulsionou a exportação de diversas especialidades farmacêuticas, incluindo para o Brasil. O médico Francisco Cortês Pinto (1885-1974), criador do Laboratório Sanitas, viria, em 1939, a presidir à primeira Direção do Grémio Nacional dos Industriais de Especialidades Farmacêuticas.

O ano de 1939, para além de assinalar o princípio do conflito entre Aliados e o Eixo, coincide, temporalmente, com o grande progresso das Ciências Farmacêuticas, associado ao desenvolvimento da Indústria na Europa e nos Estados Unidos da América, que iria colocar no mercado novas moléculas e vacinas com segurança e eficácia cientificamente comprovadas. Foi o tempo da comercialização da penicilina e da descoberta de novos medicamentos e da imunização para doenças de natureza infeciosa. E, também, da era da microscopia eletrónica.

O regime democrático, definido pela Constituição da República de 1976, iria acelerar o desenvolvimento socioeconómico e o reconhecimento da necessidade da Regulação da atividade industrial, distribuição e comercialização de medicamentos. Função que foi, primeiramente, competência da Direção-Geral da Saúde e da Comissão Técnica dos Novos Medicamentos e, depois, em 1984, da Direção-Geral dos Assuntos Farmacêuticos e por fim, desde 1993, do INFARMED.

Seguiram-se anos de construção e de progresso.

Em 2024, Portugal é diferente. Muito diferente. Já não é um país atrasado e está mesmo, em muitas áreas, na vanguarda a nível europeu.

A evolução da Indústria Farmacêutica, ao longo dos 85 anos de história da APIFARMA, para isso contribuiu, indubitavelmente.

Francisco George
franciscogeorge@icloud.com