A Saúde Escolar, como área principal em Saúde Pública, está associada aos trabalhos desenvolvidos por Fernanda Navarro. Era o tempo da Direção-Geral da Saúde de Arnaldo Sampaio, mas também de Lopes Dias, Manuela Santos Pardal, Celsa Carvalho, Purificação Araújo, Emílio Imperatori e Amélia Leitão. Construiriam alicerces robustos, que ainda resistem. Têm que resistir.
As normas que então fabricaram implicavam a intervenção de equipas constituídas por médicos, enfermeiros e técnicos de saúde ambiental. Planeavam e concretizavam ações de prevenção primária e secundária em ambiente escolar com envolvimento de alunos, professores, mães e pais. Todos comprometidos.
Fernanda Navarro nasceu em Bragança, em 1932, antes de terminar o curso de Medicina na Faculdade do Porto foi professora primária. Apesar de especialista em Anestesiologia, optou pela Saúde Escolar, que viria a marcar a sua vida de médica, tanto na Direção-Geral da Saúde como na Escola Nacional de Saúde Pública. Nesse sentido, desenhou planos de intervenção que previam a participação dos setores da Saúde e da Educação. No domínio estratégico, considerava que a concertação de políticas públicas dos dois ministérios era primordial. A Saúde Escolar ergueu-se como um processo incessante destinado a elevar os níveis de literacia e de educação para a saúde de toda a população.
Fernanda Navarro liderou equipas. Ensinou gerações. Uma vez jubilada, regressou a Trás-os-Montes. Vive em Vila Real.
Lisboa, Primavera de 2026
Francisco George
(1) Texto escrito no âmbito das celebrações dos 125 anos da Saúde Escolar em Portugal (DGS).
(2) O autor do testemunho, ora publicado, frequentou, em 1977, a Escola Nacional de Saúde Pública.
